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Público Suplemento: Ípsilon | Junho 2007 | Inês Nadais

As paredes ainda estão como Molière as deixou em 1668, mas lá dentro há um Citroen 2CV, um calendário com gajas nuas e um túmulo. (…) É aí, ao túmulo, que queremos chegar: além de matar as festas do Teatro Praga, José Maria Vieira Mendes também mata Molière, o que tem tudo a ver numa peça em que não se fala noutra coisa a não ser de matar o pai. É isso que José Maria Vieira Mendes quer dizer quando diz que “Molière apenas servirá para o esqueleto”. Pode ser a última festa do Teatro Praga mas isto chegou ao ponto de eles dançarem em cima das cinzas da grande dramaturgia europeia. Não é só uma festa também é um statement da companhia e do dramaturgo (…) É possível que isto seja o fim do teatro praga tal como o conhecemos. Mas é mais possível que seja só o início.

Jornal de Notícias Suplemento: Viva | Julho de 2007 | Cláudia Luís

Rir mesmo a sério, partir o coco a rir, morrer a rir, desmanchar-nos a rir, rir a bandeiras despregadas, de todos os feitios e formas, sim, rir até esquecermos o que nos fez rir inicialmente”. Para Jacinto Lucas Pires, é isto que acontece ao público ao ver “O Avarento”. Esta comédia baseia-se no conflito geracional da intriga do dramaturgo francês e adapta-a ao contexto português para reflectir sobre a geração que o 25 de Abril de 1974 dividiu. A companhia previne, o espectador sentirá necessidade de intervir.

Time Out |  Janeiro de 2008 | Ana Dias Ferreira

Uma das grandes qualidades deste Avarento é a enorme lucidez por trás da loucura. Vieira Mendes queria falar dos “problemas das gerações”. Queria “fazer a última festa” do Teatro Praga, obrigar a companhia a continuar em palco depois de partir tudo. E o resultado demonstra como se pode ser o enfant terrible do teatro e questionar as convenções ao mesmo tempo que se revela inteligência e maturidade (…) O lado tragicómico e acentuado pelo cruzamento entre a linguagem medieval e moderna, e há uma série de referências que vão sendo introduzidas ao longo da peça, sempre com o tema pais e filhos como pano de fundo: o Édipo de Sófocles, Os Irmãos Karamazov de Dostoeivski, o Aulularia de Plauto. (…) Diz Vieira Mendes: “Uma das coisas de que gosto no teatro é que se vou falar numa coisa triste, não tenho de o fazer de uma forma triste”. E esta é uma comédia onde se fala da morte, mas onde se ri. Muito.

Semanário | Janeiro de  2008 | Ana Maria Duarte

Quem está à espera de um espectáculo na linha que o Teatro Praga tinha “habituado” o seu público, pode começar a preparar-se para mudança, sendo que esta é positiva, qualitativa, uma vez que demonstra uma passagem para uma outra fase, uma capacidade evolutiva (…) Testar ou minar a intemporalidade dos clássicos? Um desafio à altura de um colectivo que se tem vindo a distinguir por uma questionadora e provocatória desmontagem das convenções teatrais”, esta é a forma como a instituição que o recebe apresenta o espectáculo. Será sem dúvida uma das apostas deste ano a nível do teatro.

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